Indignados ou Indignos?



“Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando ele voltou e chegou perto da casa, ouviu a música e o barulho da dança. Então chamou um empregado e perguntou: O que é que está acontecendo? O empregado respondeu: ‘O seu irmão voltou para casa vivo e com saúde. Por isso o seu pai mandou matar o bezerro gordo. O filho mais velho ficou zangado e não quis entrar. Então o pai veio para fora e insistiu com ele para que entrasse.” (Lucas 15:25-28)

Sem dúvida, quando vemos ou experimentamos uma situação que consideramos injusta, ficamos indignados, ou, pelo menos, incomodados; sobretudo se a situação está relacionada a um assunto especialmente importante ou a pessoas próximas de nós. Mesmo que, do ponto de vista humano, estejamos “certos”, o Pai espera que possamos enxergar as coisas com uma visão mais ampla, olhando para além daquilo que parece ter sido perdido”, e valorizando o que ninguém pode nos tomar.

É interessante que, na parábola acima, quando o filho mais novo pede a sua parte na herança , o pai “reparte os bens entre os dois (Lucas 15:12), exercendo a sua justiça e preservando a parte do mais velho; e, além disso, como percebera o filho mais novo, depois de desperdiçar a sua parte na herança, havia algo mais precioso do que os bens materiais; algo que parecia perdido, definitivamente: o direito de ser chamado filho. Ele reconheceu que poderia ser mais feliz sendo um empregado do seu pai do que o senhor da sua vida (Lucas 15:17-19); mas foi surpreendido pelo amor incondicional do pai, que ansiava recuperar o filho perdido e derramar sobre ele o seu amor, perdão e misericórdia (Lucas 15:24).

“Vejam como é grande o amor do Pai por nós! O seu amor é tão grande, que somos chamados de filhos de Deus e somos, de fato, seus filhos. É por isso que o mundo não nos conhece, pois não conheceu a Deus. Meus amigos, agora nós somos filhos de Deus, mas ainda não sabemos o que vamos ser. Porém sabemos isto: quando Cristo aparecer, ficaremos parecidos com ele, pois o veremos como ele realmente é.” (1 João 3:1-2)

Muitas vezes, como no caso do filho mais velho, esperamos o reconhecimento pelo nosso esforço (Lc 15:29); ou, talvez, algo que demonstre que somos considerados especiais; melhores do que outros, que parecem receber a nossa parte sem merecer; no entanto, não percebemos que essa visão competitiva do merecer mais que o outro é uma característica própria desse mundo, da nossa sociedade, e não reflete as expectativas e promessas do Pai; talvez, o maior problema seja a perspectiva , o ponto de vista circunstancial que influencia o nosso entendimento. Para o Criador, cada criatura é única e especial, e não há como um ser roubar do outro a porção que lhe foi dada, do seu amor; só nos afastamos da sua graça se insistirmos em seguir nossos próprios caminhos, em desacordo com a sua orientação.

Porém esse seu filho desperdiçou tudo o que era do senhor, gastando dinheiro com prostitutas. E agora ele volta, e o senhor manda matar o bezerro gordo! (Lucas 15:30)

O olhar do filho mais velho estava voltado para a comparação da sua atitude com a atitude do seu irmão mais novo: Ele dedicou tempo; fidelidade; obediência; resignação; cuidando dos negócios e bens do pai, ficando ao seu lado; enquanto isso, o filho mais novo viveu irresponsavelmente, desperdiçando toda a sua herança, recebida antecipadamente. O que parecia mover o desempenho do filho mais velho era ser reconhecido; considerado importante; merecedor de elogios e recompensas; e não, simplesmente, servir”. Ele foi duro em seu julgamento, considerando que aquele irmão mais novo não era digno de receber a recompensa como ele o era.

Jesus ensina que o Reino de Deus não é pautado por conceitos ou regras humanas (Mateus 15:9 / Marcos 10:43-44); que o Senhor deseja recompensar a todos, igualmente (Mateus 20:13-15); Pedro afirma que Ele é paciente e deseja que todos cheguem ao arrependimento (2 Pedro 3:9); Paulo fala sobre o valor insignificante da sabedoria humana diante das obras do Criador (1 Coríntios 1:21-24); no entanto, insistimos em viver pelos preceitos do mundo, que instigam a competição e a indignação diante de situações injustas, sob o ponto de vista social; mas que, na verdade, segundo o olhar de Deus, são necessárias para revelar corações materialistas; ingratos; orgulhosos; cheios de inveja; cobiça e arrogância; e nos dar a oportunidade de refletir e mudar de direção (arrependimento).

De onde vêm as lutas e as brigas entre vocês? Elas vêm dos maus desejos que estão sempre lutando dentro de vocês. Vocês querem muitas coisas; mas, como não podem tê-las, estão prontos até para matar a fim de consegui-las. Vocês as desejam ardentemente; mas, como não conseguem possuí-las, brigam e lutam. Não conseguem o que querem porque não pedem a Deus. E, quando pedem, não recebem porque os seus motivos são maus. Vocês pedem coisas a fim de usá-las para os seus próprios prazeres. (Tiago 4:1-3)

A parábola do filho pródigo revela dois tipos de coração dos filhos que ainda não compreendiam toda a dimensão do amor do pai: o do filho mais novo, a princípio, insatisfeito com a vida ao lado do pai, e, depois, reconhecendo que necessitava da sua graça; e, o do filho mais velho, que decidira obedecer ao pai, mas, no fundo, esperava ser reconhecido como merecedor ; ou seja, um coração motivado com desejos egoístas, que o deixam indignado com a falta de justiça do pai.

Assim como o filho mais velho, aqueles que se julgam fiéis, por terem uma vida aparentemente mais justa, ou por fazerem parte de uma obra assistencial, igreja ou ministério; podem estar vivendo com zelo que não se baseia em verdadeiro conhecimento (Provérbios 19:2/NVI), podem estar esperando uma recompensa maior, pelo seu incrível desempenho ; e (ou) baseando a sua crença em preceitos humanos (Lucas 18:11-12/Romanos 10:2-3); no entanto, precisam libertar-se da indignação terrena e egoísta para o reconhecimento de sua indignidade diante do Senhor.

Se a vida parece injusta, difícil de aceitar; se não temos sido reconhecidos como esperamos, ou recebido o que pensamos ser devido; talvez seja tempo de refletirmos em nossas motivações; anseios e objetivos, colocando à prova nosso estilo de vida e planos (1 Coríntios 15:19). Às vezes, precisamos nos lembrar quem somos de fato; de onde viemos, e o que recebemos pela graça do Senhor (Romanos 3:10-12). Somos dignos da ira de Deus e indignos do seu perdão; somos dignos do castigo, e indignos do seu Reino Eterno; somos dignos da morte eterna, mas Jesus nos tornou dignos da Graça de Deus, pelo seu amor incondicional.

Como já dito, diante dos homens é comum aparecerem situações que nos causam indignação e frustração, no entanto, devemos avaliar a intensidade dessas emoções e a sua importância em nossas vidas. Quando o peso do descontentamento mundano é maior do que a nossa esperança futura no Reino Eterno, podemos estar nos tornando, novamente, indignos da misericórdia de Deus, já que a nossa alegria e satisfação estão voltadas para o que é imediato, passageiro e finito; e não encontramos sentido e prazer em viver segundo a fé nas promessas do Pai. Para os que confessam a fé em Jesus, a vida nesse mundo deve ser vista, sempre, como um tempo passageiro; com propósitos específicos deixados por Deus, para esse tempo, na Bíblia; uma fase terrena na qual devemos renunciar à busca pela satisfação egoísta, em benefício do crescimento espiritual; do conhecimento do Senhor; do amor ao próximo e, sobretudo, do reconhecimento da nossa indignidade diante do Pai.

“Queridos amigos, lembrem que vocês são estrangeiros de passagem por este mundo. Peço, portanto, que evitem as paixões carnais que estão sempre em guerra contra a alma. A conduta de vocês entre os pagãos deve ser boa, para que, quando eles os acusarem de criminosos, tenham de reconhecer que vocês praticam boas ações, e assim louvem a Deus no dia da sua vinda. (1 Pedro 2:11-12)


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