Fiel no Pouco



“Muito bem, empregado bom e fiel”, disse o patrão. “Você foi fiel negociando com pouco dinheiro, e por isso vou pôr você para negociar com muito. Venha festejar comigo!” (Mateus 25:21)

O ser humano foi criado por Deus à sua imagem e semelhança (Gênesis 1:26-27), e isso, penso eu, num sentido, tem a ver com a inteligência, a razão, a capacidade de aprender lógicas; obter entendimento; construir uma “inteligência emocional” capaz de controlar os seus instintos e anseios; ou seja, a capacidade de tomar decisões baseadas em princípios; crenças; reflexões; sentimentos; de “acertar ou errar” conscientemente, mesmo que, em muitas oportunidades, nos deixemos levar pelo “impulso”. Esse é um “dom” comum a todos, e, talvez, o mais precioso, pois nos permite reconhecer o Criador; o mundo; os planos do Pai; e escolher entre o que é o melhor a fazer, segundo o Senhor, e o que realmente desejamos realizar, segundo nossa vontade egoísta, como ocorrera no Éden, quando o ser humano resolveu não obedecer a Deus. Mas, será que paramos para pensar como temos usado essa dádiva tão especial?

“Porém vocês, irmãos, foram chamados para serem livres. Mas não deixem que essa liberdade se torne uma desculpa para permitir que a natureza humana domine vocês. Pelo contrário, que o amor faça com que vocês sirvam uns aos outros. Pois a lei inteira se resume em um mandamento só: ‘Ame os outros como você ama a você mesmo.’ ” (Gálatas 5:13-14)

O cristão, normalmente tem (ou deveria ter) a preocupação de vencer a sua natureza pecadora, controlar os seus maus desejos e melhorar o seu caráter à semelhança de Cristo; no entanto, nem sempre percebe que essa “transformação” deve acontecer em todos os “níveis”; não só nos momentos em que parece lutar contra as maiores tentações e pecados, mas, no dia-a-dia, em cada situação; relacionamento; lugar e circunstância. Muitas vezes não percebemos, apesar de estarem incorporadas em nosso comportamento diário, atitudes frias, desrespeitosas e até agressivas que cometemos, como por exemplo: não olhar na face de um colega de trabalho que você conhece há anos, nem para dar bom dia; passar à frente de todos os que estão no ponto de ônibus, ou em uma fila qualquer, não levando em conta nem mesmo as prioridades legais; cometer inúmeras infrações e manobras inadequadas com o carro, colocando os seus interesses acima do interesse dos outros; procurar levar vantagens em toda situação, sobretudo, financeiramente, mesmo que se extrapolem os limites da ética; enfim, “pequenas” ações, próprias de um comportamento egoísta e mundano, que ferem o Espírito Santo e nos desviam do aprimoramento cristão.

“Aí o empregado que havia recebido cem moedas chegou e disse: ‘Eu sei que o senhor é um homem duro, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Fiquei com medo e por isso escondi o seu dinheiro na terra. Veja! Aqui está o seu dinheiro.’ — ‘Empregado mau e preguiçoso!’, disse o patrão. ‘Você sabia que colho onde não plantei e junto onde não semeei. Por isso você devia ter depositado o meu dinheiro no banco, e, quando eu voltasse, o receberia com juros.’ ” (Mateus 25:24-27)

A cada um, Deus dá conforme a sua vontade (1 Coríntios 12:11/18), a uns “menos”, a outros “mais”; mas, o Senhor espera sempre o mesmo de cada um: que possamos usar nossas capacidades (“qualidades espirituais”), sejam elas quais forem, para “frutificar” (Gálatas 5:22); para nos conduzir nesse mundo, na batalha contra a nossa natureza humana (Gálatas 5:17); para o bem, sobretudo dos que amam a Deus (Gálatas 6:9-10); enfim, os dons que recebemos do Pai devem ser utilizados com zelo; mesmo aqueles que, com a “evolução” da humanidade, parecem tão pequenos ou comuns, como a capacidade de sentir e racionalizar; de se importar com o próximo nas corriqueiras situações. Nosso mundo está carente de gentileza; solidariedade; empatia; amor e respeito verdadeiros; características marcantes de alguém que se deixa guiar pelo espírito, e não pela natureza humana; mundana; egocêntrica; que leva o ser humano a afastar-se da sua “imagem divina”; do caráter puro e nobre, desenhado pelo Criador.

“— ‘Muito bem!’ — respondeu ele. — ‘Você é um bom empregado! E, porque foi fiel em coisas pequenas, você vai ser o governador de dez cidades.’ ” (Lucas 19:17)

Interessante pensar que, apesar do contentamento do “patrão” (Lucas 19:16), o “ganho” não foi para ele, mas ficou com o “empregado”. A sua intenção não era explorar o empregado ou enriquecer a si mesmo, pois já possuía tudo. Deus não espera que façamos coisas para o seu benefício, pois, não precisa de nós e de nossas ações, afinal, é o autor da vida e de tudo o mais (Atos 17:25); o que deseja é a nossa fidelidade, manifesta pelo empreendimento da nossa vida em conformidade com o seu plano; uma decisão de fé; de confiança; de resignação; entrega; demonstrada em atitudes simples e firmes, que confirmam, dia-a-dia, o nosso amor a Deus e ao próximo. Muitos anseiam por mais tempo; dinheiro; conforto; bens; circunstâncias favoráveis; enfim, por fatores que permitam mais satisfação, conhecimento e controle da própria vida; e, nesse processo, esquecem-se de exercer o trivial e de se contentar com as riquezas da criação do Senhor, o seu amor por nós e as suas maravilhosas promessas para o futuro eterno.

“Por último, meus irmãos, encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente. Ponham em prática o que vocês receberam e aprenderam de mim, tanto com as minhas palavras como com as minhas ações. E o Deus que nos dá a paz estará com vocês.” (Filipenses 4:8-9)

O mundo valoriza muito mais os bens materiais; as vitórias pessoais; os resultados do que os “processos”; ou seja, é mais importante “o que tenho” e “onde eu consigo chegar”, do que como alcancei tais circunstâncias (Mateus 20:25). Para Deus, o mais importante é o processo, o caminho, e não o resultado final; na verdade, o resultado final já está garantido a todos os que se entregam ao seu plano (Mateus 20:26). O elemento chave é, então, a fé; que vai mover cada um a percorrer o caminho, mesmo que não se possa ver, de antemão, o “prêmio” (Hebreus 11:1). Pessoas cobiçam o que vêem, ou já viram; criam “imagens” em suas mentes, que as movem para conseguir o que desejam; mas, o Senhor, em sua suprema sabedoria, baseou a sua justiça na fé; na confiança; na dependência; no relacionamento (Habacuque 2:4). Muitas histórias de sucesso mundano enfatizam o “esforço próprio”, como elemento fundamental para o sucesso alcançado; mas, no Reino de Deus, o sucesso se faz com relacionamentos, com Deus e com o próximo, através do esvaziamento dos desejos pessoais, em favor do bem comum.

“Existem tipos diferentes de dons espirituais, mas é um só e o mesmo Espírito quem dá esses dons. Existem maneiras diferentes de servir, mas o Senhor que servimos é o mesmo. Há diferentes habilidades para realizar o trabalho, mas é o mesmo Deus quem dá a cada um a habilidade para fazê-lo. Para o bem de todos, Deus dá a cada um alguma prova da presença do Espírito Santo.” (1 Coríntios 12:4-7)

Dessa forma, se utilizarmos os dons que recebemos do Senhor, na direção correta, com o propósito adequado, desde aqueles que parecem ínfimos, como, por exemplo, a simples capacidade de dar um “bom dia” a alguém não muito íntimo; estaremos agradando a Deus e nos capacitando para recebermos mais. Na lógica do Criador, o maior não é aquele que parece muito capacitado, mas, sim, aquele que usa, da forma esperada, os recursos que recebeu, pela graça. Nossas vidas só podem fazer real diferença, no mundo e nas vidas de outros, se vivermos, de verdade, em cada “pequena coisa”, o “estilo de vida de Deus”, que não se contenta com o comodismo do: “Vou ficar no meu canto para não atrapalhar”, mas, que considera cada ação empreendida com bom propósito.

O Senhor espera que sejamos “fiéis no pouco”, ou seja, em cada (pequena) situação; momento ou circunstância, para que sejamos verdadeiros “embaixadores da graça”; servos que não somente portam a luz, mas que erguem as suas candeias para que outros sejam iluminados. O plano de Deus se inicia, em cada vida, com uma escolha pessoal, de aceitar pessoalmente a sua graça; mas, só pode efetivar-se através de relacionamentos que exercitem a prática dessa graça, através dos dons aperfeiçoados por uma vida pelo espírito. O “sucesso”, na grande guerra contra nossa natureza pecadora, é alcançado à medida que nos fortalecemos em cada batalha, mesmo que aparentemente perdida, e recebemos do Pai novas forças para continuar a percorrer o caminho.

“Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.” (Mateus 5:15-16)

“Por isso se esforcem para ter os melhores dons. (...)” (1 Coríntios 12:31)


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