Casamento, Divórcio e Recasamento



ASSUNTOS INTRODUTÓRIOS

1) As questões relativas a casamento, divórcio e recasamento não parecem ser tão amplas quanto nós, os autores deste trabalho, achávamos no início de nosso estudo. Chegamos às conclusões muito mais rápida e facilmente do que imaginávamos no princípio. Uma vez dito isso, reconhecemos completamente que esse assunto não é tão simples, nem deve ser lidado de maneira leviana. Aplicar os ensinamentos bíblicos sobre divórcio/recasamento às múltiplas situações nas quais as pessoas se envolvem é algo que está repleto de dificuldades. Trata-se de uma questão cuja solução tem se tornado cada vez mais urgente, uma vez que um número cada vez maior de cristãos está envolvido em um contexto de divórcio ou já está passando por situações desafiantes em seus casamentos. O procedimento que adotamos neste estudo é, não apenas lidar com as questões, mas chegar a conclusões unificadas que possam ser compartilhadas com líderes de congregações ao redor do mundo. Caso contrário, podemos cair em contradição, no sentido de aconselhar uma coisa para pessoas divorciadas em uma igreja, e outra coisa para pessoas de uma outra igreja diferente.

2) Há pelo menos dois fatores potenciais de desunião em nossas igrejas nos últimos anos. Primeiramente, fundos religiosos individuais têm levado alguns de nós a querer questionar as coisas, principalmente porque tiramos conclusões precipitadas. Precisamos aprender a lidar com sabedoria com questões mais complexas que não se harmonizam facilmente, especialmente aquelas relativas aos campos de solução mais desafiantes. Isso requer paciência e boa vontade para estudar mais a fundo e evitar que se chegue a conclusões legais (e muitas vezes legalistas) precipitadas. Em segundo lugar, o desejo por soluções rápidas pode nos levar a avaliar de maneira superficial algo que Deus leva muito a sério. Resoluções rápidas são frequentemente atraentes, mas, com o tempo, voltam a nos assombrar. Fazer as coisas de acordo com a vontade de Deus não é normalmente o caminho mais fácil a curto prazo, mas, a longo prazo, compensa muito.

3) Mesmo quando as pessoas se divorciam por razões biblicamente corretas, isso acarretará um dano por toda a vida e não podemos lidar com esse problema de forma leviana. Devido à complexidade da questão, é fundamental avaliar muitas escrituras a fim de se obter uma visão mais clara. Não se trata de uma questão como o batismo, em que um versículo nitidamente esclarece a solução e outros versículos meramente reforçam essa resolução. Para se obter uma visão bíblica sobre divórcio e recasamento, vamos começar este estudo avaliando as passagens do Antigo Testamento e, daí, passaremos às escrituras do Novo Testamento que diretamente esclarecem os problemas que enfrentamos hoje. Nosso enfoque será as sociedades caracterizadas pela monogamia. Portanto, a questão da poligamia não será alvo deste estudo.

4) Qualquer estudo sobre casamento, divórcio e recasamento precisa começar com a visão de Deus sobre o divórcio, que é clara e sucintamente relatada em Malaquias 2:16: “Eu odeio o divórcio”, diz o Senhor, o Deus de Israel. Aqui Malaquias adverte os maridos a permanecerem fiéis às esposas da sua juventude. Obviamente isso era um problema para a cultura da época. Por que permanecer fiel? Porque Deus odeia o divórcio. Qualquer estudo sobre divórcio e recasamento deve reconhecer qual é a posição de Deus sobre a questão: Deus odeia o divórcio. Uma vez que Deus leva a sério os nossos votos de casamento, nós também temos que levar isso a sério. Em Eclesiastes 5:4-6, lemos: “Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cumpra o seu voto. É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir. E não diga ao mensageiro de Deus: “O meu voto foi um engano”. Por que irritar a Deus com o que você diz e deixá-lo destruir o que você realizou?”.

Provérbios 2:17 descreve a mulher imoral como aquela “que abandona aquele que desde a juventude foi seu companheiro e ignora a aliança que fez diante de Deus”. Portanto, é óbvio que os votos do casamento são da mais alta seriedade diante de Deus.

5) Devemos manter continuamente diante das pessoas tanto a visão de Deus sobre o casamento ideal, quanto sua visão sobre o divórcio. Os membros da igreja não devem considerar o divórcio como uma opção. Em nossos aconselhamentos pré-maritais, devemos salientar que Deus odeia o divórcio. Devemos manter um alto padrão de ajuda aos discípulos casados no sentido de conservarem sua união matrimonial feliz até o fim.

ANTIGO TESTAMENTO

6) A revelação de Deus se iniciou com a criação do homem, seguida rapidamente pela instituição do casamento, uma vez que “não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2: 18). O ideal de Deus para o casamento era claro: um homem para uma mulher. Os versículos que mostram a visão do casamento na mente de Deus se multiplicam. De fato, Deus sempre usou o relacionamento entre marido e mulher como a melhor descrição da sua aliança com os seus escolhidos (Isaías 54:5-8; Jeremias 3:14; Oséias 1-3).

7) As leis do Antigo Testamento que se referem a casamento e divórcio mostram claramente que Deus é extremamente sério sobre a fidelidade no casamento e a santidade do acordo matrimonial. Um homem israelita não poderia se casar com parentes mais próximos, ou com uma ex-esposa que havia se casado novamente e se divorciado, ou com nenhuma mulher gentia (excluindo cativas de guerra).Se fosse constatado que uma mulher recém-casada não era virgem, ela deveria ser apedrejada até a morte, como também deveriam ser apedrejados um homem e uma mulher que dormissem juntos quando ela já estivesse prometida em casamento a um outro homem (se isso acontecesse no campo, então, apenas o homem seria morto e a mulher seria considerada inocente).Se um homem seduzisse uma virgem não comprometida em casamento, então, ele teria que pagar o preço pela noiva e se casar com ela (se o pai concordasse) e jamais poderia se divorciar dela.Filhos ilegítimos (nascidos fora do casamento) tinham que ser excluídos da assembleia do Senhor.

8) Apesar da seriedade dos votos do casamento, Deus permite o divórcio. A melhor passagem do Antigo Testamento sobre isso está em Deuteronômio 24:1-4:

“Se um homem casar-se com uma mulher e depois não a quiser mais por encontrar nela algo que ele reprova, dará certidão de divórcio à mulher e a mandará embora [2]. Se, depois de sair da casa, ela se tornar mulher de outro homem [3], e este não gostar mais dela, lhe dará certidão de divórcio, e a mandará embora. Ou se o segundo marido morrer [4], o primeiro, que se divorciou dela, não poderá casar-se com ela de novo, visto que ela foi contaminada. Seria detestável para o Senhor. Não tragam pecado sobre a terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá por herança.”

9) Aqui um homem é instruído no sentido de que, se ele encontrar em sua esposa algo indecente ('erwat dabar), então ele lhe dará uma certidão de divórcio (seper keritut). Essa certidão dava à mulher o direito de se casar novamente. O ensino de Jesus nos ajuda a entender que Deus permitia o divórcio debaixo dessa legislação devido à dureza do coração da humanidade (Mateus 19:8). Os homens estavam abandonando suas esposas sem direitos ou privilégios. O propósito dessa lei era aparentemente forçar o marido a calcular seriamente os custos antes de se divorciar de sua esposa (uma vez que ele não poderia se casar com ela novamente mais tarde) e estabelecer alguns direitos para as mulheres nesse ambiente injusto. Deus ama a justiça. Ele permitiu que o divórcio fosse estabelecido para o seu povo, sob a lei de Moisés, apenas para atender a uma necessidade prática.

10) Esse algo “indecente” encontrado em uma esposa tem sido muito debatido. Na época de Jesus, duas escolas de pensamento predominavam. Um grupo acreditava que a indecência era a imoralidade enquanto outro cria que era qualquer coisa que desagradasse ao marido. Uma vez que Deus odeia o divórcio, certamente não poderia ter sido algo trivial. Por outro lado, embora fosse algo muito sério, parecia não ser uma imoralidade alarmante, uma vez que isso implicaria em punição por apedrejamento. Independentemente do que seria exatamente esse comportamento indecente, a passagem mostra claramente que, em algumas situações, algo inferior ao padrão ideal de Deus era permitido por meio de uma concessão.

11) Portanto, qualquer divórcio permitido por Deus é uma concessão por natureza, o que mostra que Deus tem tanto um plano ideal (nunca o divórcio) e um plano de concessão (o divórcio em alguns casos). Dentro do plano de concessão de Deus para o casamento, também estão inseridas a poligamia e a concubinagem. Muito embora nossa sensibilidade possa se abalar com essas práticas do Antigo Testamento, Deus, de fato, as permitia. A poligamia era regulada, mas não proibida. Alguns dos heróis mais eminentes do Antigo Testamento tiveram múltiplas esposas e concubinas. Salomão foi condenado por se casar com mulheres estrangeiras, mas não por ter múltiplas esposas (1 Reis 11:1-6, Neemias 13: 26). Essas observações por si devem militar contra nossa rigidez ao lidar com o casamento, divórcio e recasamento no Novo Testamento, uma vez que na época do Antigo Testamento o plano de concessão de Deus era consideravelmente mais amplo do que o seu plano ideal.

12) As aplicações contemporâneas da latitude do plano concessionário de Deus não são sempre fáceis de se identificar. Quando os israelitas foram chamados de volta do cativeiro da Babilônia, aqueles que haviam se casado com mulheres estrangeiras, tiveram que mandá-las embora (e também seus filhos em comum). Isso não era chamado de divórcio nas passagens e seria provavelmente melhor descrito como anulação (Esdras 9-10). Foi permitido um período de tempo durante o qual as relações ilícitas foram identificadas e o arrependimento efetuado. Por outro lado, embora Neemias repreendesse os israelitas por seus erros, ele aparentemente não exigiu que eles se divorciassem. As diferentes abordagens dessas práticas contemporâneas, com Esdras e Neemias, juntamente com “o período da graça”, permitido por Esdras, são fatores para se levar em conta quando o povo de Deus é levado a uma contemplação mais plena da posição de Deus sobre divórcio e recasamento. Rigidez e dogmatismo são geralmente qualidades detestáveis, mas especialmente perigosas quando se tenta discernir as aplicações práticas apropriadas em área sensíveis.

NOVO TESTAMENTO

13) A principais passagens do Novo Testamento sobre casamento, divórcio e recasamento são as seguintes: Mateus 5:31-32, 19:3-12; Marcos 10:2-12; Lucas 16:18; 1 Coríntios 7. A fim de compararmos os relatos sinópticos, essas passagens serão inclusas aqui, começando com as mais simples, em Marcos e Lucas.

[2] Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova, perguntando: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher?”

[3] "O que Moisés lhes ordenou?”, perguntou ele.

[4] Eles disseram: “Moisés permitiu que o homem lhe desse uma certidão de divórcio e a mandasse embora”.

[5] Respondeu Jesus: "Moisés escreveu essa lei por causa da dureza de coração de vocês. [6] Mas no princípio da criação Deus ‘os fez homem e mulher’. [7] Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, [8] e os dois se tornarão uma só carne. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. [9] Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe.”

[10] Quando estava em casa novamente, os discípulos interrogaram Jesus sobre o mesmo assunto.

[11] Ele respondeu: "Todo aquele que se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério contra ela.

[12] E se ela se divorciar de seu marido e se casar com outro homem, estará cometendo adultério.” (Marcos 10:2-

12).

"Quem se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher estará cometendo adultério, e o homem que se casar com uma mulher divorciada estará cometendo adultério” (Lucas 16:18).

14) No relato de Marcos, vemos que um homem ou uma mulher que se divorcia de seu cônjuge e se casa com outro comete adultério (contra ela, no caso do homem que divorcia sua esposa). Pressupõe-se que eles estão se divorciando com o propósito expresso de se casarem novamente, uma vez que o divórcio é permitido por concessão, em alguns casos, assim como o recasamento. Lucas acrescenta que o homem que se casa com uma mulher divorciada comete adultério. Com o que Jesus estava lidando? Ele estava lidando com pessoas legalistas, de coração duro, que seguiam a carta da lei e não a do Espírito. Essas eram pessoas que haviam perdido o sentido do coração da lei de Deus e a haviam transformado em regras e regulamentos. Tratar os votos do matrimônio de maneira leviana nunca foi aceitável para Deus. Portanto, esses relatos expressam inequivocamente a lei do casamento divino ideal, sem nenhuma exceção. Agora vamos avaliar o que relata Mateus, que parece incluir exceções (salientadas na passagem abaixo) de natureza concessionária:

[31] "Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio.’ [32] Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério.”

(Mateus 5:31-32)

[3] Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo?”

[4] Ele respondeu: "Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ [5] e disse: 'Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? [6] Assim, eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe.”

[7] Perguntaram eles: "Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora?”

[8] Jesus respondeu: "Moisés permitiu que vocês se divorciassem de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio. [9] Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério.” [10] Os discípulos lhe disseram: "Se esta é a situação entre o homem e sua mulher, é melhor não casar.”

[11] Jesus respondeu: "Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado.

[12] Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite.” (Mateus 19:3-12).

15) Naturalmente surge a questão da razão pela qual essas exceções são inclusas em Mateus (5:31-32;19:9) e não em Marcos, ou Lucas. Em primeiro lugar, devemos lembrar o princípio de que é necessário estudar todas as passagens relevantes sobre um determinado assunto e não apenas algumas passagens isoladas. Esse princípio é particularmente verdadeiro quando as passagens sobre uma determinada questão são muito gerais em si, enquanto trechos relacionados contêm detalhes mais específicos. Por exemplo, a doutrina bíblica sobre a salvação relatada em João 3:16 é absolutamente correta, mas pode ser facilmente mal interpretada, a menos que consideremos outras passagens mais detalhadas que falam sobre a necessidade de arrependimento e batismo.

16) Talvez mais significativamente, não possamos excluir uma parte importante de uma determinada doutrina na igreja primitiva, como também deixar de fornecer direções práticas aos primeiros discípulos – o ministério revelador do Espírito. É claro que a formação gradual do cânon teria deixado muitas lacunas teológicas e práticas em muitas partes da igreja primitiva. Por exemplo, a igreja primitiva funcionou durante um considerável período de tempo sem o benefício dos escritos de Paulo sobre a importante diferença entre fé e obras. Contudo, ainda havia a expectativa de ser um discípulo fiel e viver pela fé e não por obras.

17) Durante o período em que o cânon estava sendo escrito, o Espírito estava se comunicando ativamente através de profecias e revelações não registradas, preenchendo as lacunas teológicas e doutrinárias. Levaria algum tempo até que o cânon estivesse suficientemente completo, a fim de esclarecer os mal-entendidos doutrinários. No que tange à questão do divórcio e recasamento, uma vez que há um só Espírito, podemos confiar no fato de que há somente um ensino sobre o divórcio, que o Espírito tornou conhecido através dos seus profetas e inspirou o povo em tempos de confusão. As Escrituras, que pareciam um tanto quanto contraditórias para nós, teriam sido presumidamente mais claras aos olhos dos primeiros escritores, no sentido de que as necessárias suposições que norteiam essas passagens, para um entendimento conciliatório, ficaram intactas, à medida que o Espírito revelava a informação necessária para todas as igrejas.

18) A resposta simples para nós hoje, no que se refere a “passagens que abrem exceções” em Mateus, é que Mateus reconhecia um problema crescente na igreja a respeito do divórcio e o incluía em seu evangelho, a fim de expandir e explicar o que Marcos e Lucas relatavam de maneira genérica. Exemplos similares podem ser encontrados envolvendo outros assuntos bíblicos e, se não fosse pela natureza controversa dessa questão, nós provavelmente não sentiríamos a necessidade de tirar um tempo para explicar esse princípio em detalhes.

MATEUS EXAMINOU MAIS ATENTAMENTE

19) Jesus estava sempre mais preocupado com a consequência do nosso comportamento, em nosso relacionamento com Deus e com outras pessoas, do que com a perfeição legal. Quando um homem se divorciava de sua mulher, ele, consequentemente, a colocava em uma posição difícil e dura perante o mundo (as mulheres daquela época não tinham as oportunidades de emprego disponíveis em nossa sociedade de hoje) e virtualmente a forçava a se casar novamente para se proteger. Para Jesus, isso era uma grande ofensa. O texto em Mateus 5:31-32 parece indicar que as palavras de Jesus condenavam mais as ações do homem, ao colocar sua esposa divorciada em uma situação de compromisso, do que as da mulher, por se casar novamente. Contudo, ele deixa claro que ela comete pecado, quando se casa novamente.

20) Muitas religiões populares mostram uma grande tendência no sentido de forçar as aparentes exceções em Mateus a se alinharem com a falta de exceções em Marcos e Lucas, ao invés de ser o oposto. Em outras palavras, é desconfortável aceitar o divórcio e o recasamento. Uma instrução similar ocorre em 1 Coríntios 7:15, que parece permitir o divórcio e o recasamento, quando o cônjuge descrente abandona aquele que é um discípulo. Ainda se for evitada essa mais rígida posição, a questão sobre a “parte culpada” poder se casar novamente requer um desafio maior ainda. Há muitos fatores que provavelmente têm contribuído para essa reação emocional contra o divórcio e o recasamento da parte culpada por infidelidade sexual. Em primeiro lugar, a preocupação de que tal opção possa promover uma forte tentação de se engajar em adultério, com o propósito de sair de um relacionamento marital que seja inferior ao ideal. E, em segundo lugar, a questão de não considerar a infidelidade marital como um pecado, do qual alguém possa se arrepender verdadeiramente e ser considerado digno de confiança para se casar novamente.

21) Os que são inclinados a pensar dessa forma permitiriam o recasamento a uma pessoa que assassinou sua esposa e se arrependeu, mas não dariam a mesma oportunidade a alguém que cometeu adultério. Se seguirmos esse caminho, depois que a pessoa for “mandada embora”, por ter cometido o pecado da imoralidade, ela não terá esperança alguma de vencer os pecados que a levaram ao adultério, a ponto de ela poder participar de um novo relacionamento de casamento. Alguns têm justificado essa posição, afirmando que as consequências do pecado são normalmente grandes, sem, contudo, haver evidências bíblicas sólidas para tal posição extrema. Nesse caso, as consequências dessa dura imposição sobre o povo de Deus seriam ainda mais penosas e desencorajadoras. Se a parte culpada não pode se casar novamente, então ela ainda está ligada ao cônjuge agora divorciado. Quando a união se rompe para um, ela se rompe para o outro também. Logo, se o cônjuge culpado não tem o direito de se casar novamente, é porque foi exigida uma penalidade sob a forma de um celibato vitalício.

22) Há duas circunstâncias que permitem o divórcio e o recasamento: 1) a infidelidade marital (porneia) que, pela definição da palavra grega, inclui sexo com outra pessoa e 2) a deserção por parte de um cônjuge não cristão (1 Coríntios 7:15). No último caso, uma forte implicação de que o cônjuge desertor estaria inevitavelmente envolvido em um outro relacionamento é provável, mas não relatada. Jesus, na sua época, tratou dessa situação advertindo aos homens de sua comunidade que há somente uma razão (parektos logou, que significa “exceto por razão/palavra/questão”) para o divórcio. A única razão para se dar uma certidão de divórcio é a porneia, ou seja, a infidelidade sexual. Divorciar sua esposa por qualquer outra razão é tornar a mulher divorciada uma adúltera. Devido à situação socioeconômica da Palestina do primeiro século, a mulher era forçada a encontrar outro marido para sustentá-la. Uma vez que ela foi divorciada ilegalmente, ela se tornaria adúltera e qualquer um que se casasse com ela se tornaria adúltero.

23) Outro exemplo do ensinamento de Jesus nesta área se encontra em João 8: 1-11, a famosa história da mulher flagrada em adultério. Jesus não impôs sobre ela os ensinamentos de Deuteronômio 2:22-24; ao invés disso, ele lidou com a hipocrisia, a dureza de coração e a justiça pessoal dos seus acusadores. Ao invés do apedrejamento prescrito, ele admoestou a mulher adúltera a abandonar sua vida de pecados. Um estudo sobre os ensinamentos de Jesus e sua ênfase irá revelar um padrão: ele é contra o legalismo, a rigidez a os fardos pesados colocados sobre as pessoas que as impedem de entrar no reino dos céus. Mas ele defende a justiça, a misericórdia e os relacionamentos justos.

24) Para a maioria dos pecados, arrependimento significa: “O que fiz foi errado. Gostaria de que nunca eu tivesse feito isso. Se refizesse minha vida, não faria isso novamente. Jamais farei isso novamente no futuro.”. Mesmo se alguém cometesse um pecado como o assassinato, essa pessoa não teria outro recurso, a não ser se arrepender honestamente e nós teríamos, então, que aceitá-la de volta ao nosso convívio. Nossa melhor tática, no que tange a alguns divórcios e recasamentos que são difíceis de serem resolvidos, é provavelmente seguir esse mesmo raciocínio. Uma vez que aqueles que entram no reino com recasamentos após um divórcio (ou divórcios!), que não têm fundamentos nas escrituras sagradas, são aceitos como são, então, aqueles que pecam, enquanto discípulos, com divórcios e recasamentos que não são bíblicos, e mais tarde se arrependem disso, devem, também, ser aceitos “como são”. Uma vez que não exigimos uma mudança no estado civil daqueles que entram no reino, com divórcios e casamentos não bíblicos, como é que podemos deixar de seguir essa mesma lógica e estender a mesma misericórdia aos discípulos que, da mesma forma, pecam e mais tarde se arrependem? Isso pode ser desconfortável para nós, mas será que podemos agir de outra forma e sermos ainda justos? Alguns casos se tornam tão complexos que só restam aos líderes mostrar as escrituras apropriadas, dar os melhores conselhos e deixar o julgamento final nas mãos de Deus.

1 Coríntios 7 – Considerações Preliminares

25) Antes que continuemos a discutir sobre divórcio e recasamento, há um ensinamento semelhante neste capítulo que é óbvio e extraordinário: algumas pessoas devem permanecer não casadas, simplesmente por razões práticas. Sempre usamos Gênesis 2 para salientar a necessidade do casamento, até a ponto de se harmonizar com os conselhos de Paulo, o que aqui se torna um tanto quanto desafiante. Em outras palavras, temos relutado em incentivar o celibato permanente, como Paulo o fez. Temos a tendência de fazer as pessoas se sentirem culpadas (sutil e involuntariamente) por não se casarem. Temos que tratar dessa questão e remover o estigma de permanecer solteiro.

26) Paulo e Barnabé abriram mão do seu direito de se casar a fim de servirem ao ministério desimpedidos

(1 Coríntios 9:5). Onde estão os evangelistas solteiros entre nós que permanecem solteiros sem sentir a pressão de se casar? Contudo, ninguém pode questionar a afirmação de Paulo em 1 Coríntios 7:33-34, que diz: “um homem casado preocupa-se com as coisas deste mundo, em como agradar sua mulher, e está dividido”. A questão se torna ainda mais significativa quando consideramos plantações de igrejas em lugares perigosos. Obviamente o evangelista não casado terá uma enorme vantagem sobre o casado. Considerando o que diz 1 Coríntios 7:34, seria justo e sensato concluir que uma irmã deve permanecer solteira para melhor servir o ministério “tempo integral” da igreja também.

27) Meramente por razões práticas, muitos discípulos devem ser advertidos contra o recasamento, ou, pelo menos, não ser incentivados a se casar novamente. Constariam desse número os divorciados que entram no reino com históricos assustadores de casamentos prévios. Outro grupo que deveria pensar muito seriamente antes de se casar de novo são os divorciados que têm filhos mais velhos ainda em casa. Esses discípulos esperam obter ajuda de um parente adicional para criar seus filhos. Contudo, eles poderão se achar em meio a uma horrível guerra marital e familiar. Quando ambos os parceiros potenciais se encontram nessa situação, com o status de uma “família misturada”, isso pode acarretar consequências horríveis. Outra categoria para a qual o casamento pode ser uma escolha imprudente seria o caso de solteiros mais velhos com personalidades e qualidades de caráter que tornariam os ajustes no casamento muito desafiantes.

28) Casar-se, de acordo com Paulo, não é sempre ideal. O casamento não é absolutamente nem um mandamento, nem uma proibição. Colocar uma pressão indevida nas pessoas, nesse ou naquele sentido, não é bíblico, nem prático. Permanecer solteiro pode ser a escolha mais sábia. De um lado, está a necessidade de estar focalizado no reino, de uma maneira que o casamento não permite; e, por outro lado, estão as questões práticas que tornam o casamento para alguns completamente difícil e talvez desastroso. É necessário muita sabedoria para se dar conselhos nessa área. Alguns não querem se casar, mas deveriam. Outros querem se casar, mas não deveriam. A própria consciência da pessoa é um fator importante para decidir se ela irá se casar ou permanecer solteira, como mostram os comentários de Paulo no versículo 37: “Contudo, o homem que decide firmemente em seu coração, que não se sente obrigado, mas tem controle sobre sua própria vontade e decidiu não se casar com a virgem - este também faz bem”. Em resumo, se melhorássemos os nossos conselhos sobre casamento, diminuiríamos o número de casamentos seriamente disfuncionais entre nós.

1 Coríntios 7 – Examinada Mais Atentamente

29) Agora vamos começar a considerar as passagens específicas em 1 Coríntios 7, que dizem respeito diretamente ao nosso assunto. Nos versículos de 8 a 16, Paulo trata de três categorias diferentes de casamento: os não casados e as viúvas; os casados, em que ambos os cônjuges são discípulos; e os casamentos “mistos”, nos quais um cônjuge é discípulo e o outro, não é. Os conselhos e as aplicações variam em cada caso.

30) Ele começa com os não casados e as viúvas (versículos 8-9), que ele considera que estarão em melhor situação se permanecerem não casados. Entretanto, se eles não tiverem o dom do celibato, é melhor que se casem do que ficar ardendo de desejo. Essa passagem não pode ser interpretada, no sentido de que a cobiça seja uma desculpa para os solteiros; nem deve ser usada para justificar casamentos apressados. Além do mais, não pode ser usada como desculpa para o rompimento de um casamento, no qual um cônjuge é incapaz (saúde mental ou física debilitada), ou não está disponível (na cadeia, por exemplo). Qualquer dessas interpretações violaria muitas outras passagens. A base desse conselho (os “problemas atuais” mencionados no versículo 26) é a razão prática para permanecer não casado. Outros já têm sido mencionados nos comentários introdutórios desta seção.

31) Nos versículos 10-11, Paulo trata dos “casados”. Uma comparação entre esses versículos com os que se seguem imediatamente mostra que os “casados” mencionados aqui são ambos discípulos. (Observem também que esses versículos são mandamentos, e não concessões, em contraste com os versículos anteriores, que dão aos não casados o direito de se casar sem pecar). Paulo afirma que não é ele quem está dando esse mandamento, mas o Senhor). Quando Paulo afirma que o Senhor já falou sobre essa situação, ele deveria ter em mente o ensinamento registrado em Mateus 5:31-32; Mateus 19:3-9; Marcos 10:2-12; Lucas 16:18. Portanto, essas passagens nos registros dos evangelhos devem ser vistas como leis da aliança (em que ambos os cônjuges têm um relacionamento com Deus) e, não, como leis universais.

32) Se qualquer um dos cônjuges desertar, então ambos os discípulos devem permanecer sem se casar, ou reconciliar-se um com o outro. Não é permitido a nenhum dos discípulos se casar novamente. Embora a vontade ideal de Deus esteja aqui claramente relatada (nenhuma separação), a própria menção da separação mostra que Deus permite essa concessão, contanto que não haja nenhum recasamento com outros parceiros. Em alguns casos raros, os líderes de igreja devem aconselhar, ou aprovar, embora com relutância, a separação entre os dois discípulos casados, sem aplicar a disciplina da igreja. As afirmações de Paulo têm que se harmonizar com a cláusula de exceção de Mateus 19, mas a aplicação geral se relaciona com a necessidade do momento da igreja de Corinto. Embora o texto não mencione outras razões para a separação, em alguns casos extremos, a mesma deve ser recomendada. Contudo, se ambos os cônjuges eram supostamente discípulos, qualquer pecado presente na vida de qualquer um deles, nesta situação, deveria ser lidado mediante aconselhamento, e, se necessário, por meio da disciplina da igreja, resultando em arrependimento, ou na excomunhão da igreja. Se um discípulo fosse tirado do convívio, ou caísse da fé, o casamento cairia na categoria de um crente se casando com um descrente, o que será discutido em seguida.

33) Em 1 Coríntios 7:12-16, Paulo passa a aconselhar aqueles que ele chama de “os outros”. Dentro desse contexto, é evidente que esse casamento é composto de um discípulo e um não discípulo. Temos que presumir que um cônjuge se tornou um discípulo e o outro, não, como é a maioria dos casos hoje. Essa passagem não deve ser vista como um exemplo de um cristão que se casa com um não cristão, pois essa hipótese é eliminada por outras passagens, incluindo o versículo 39, neste mesmo capítulo. Observe que Paulo afirma que ele, não o Senhor, está falando sobre esta situação específica. Isso significa que o ensinamento de Deus exposto acima deveria ser aplicado àqueles dentro do reino. Agora, entretanto, Paulo, como um apóstolo inspirado, estava usando um princípio que se tornou necessário porque a igreja estava se espalhando especialmente pela cultura gentia. Em passagens como João 14:12-13, Jesus preparou os apóstolos para revelações adicionais que eles receberiam a fim de atender às necessidades que surgiriam no futuro. É óbvio que a situação em Corinto refletia tal situação.

34) Se o não cristão dispõe-se a viver com o cristão, o cristão deve permanecer casado. Observe-se que o não cristão deve estar disposto a viver com o discípulo, na condição de discípulo. Em outras palavras, o não cristão deve estar disposto a permitir que seu cônjuge cristão pratique seu cristianismo. É óbvio que um discípulo pode aplicar a definição de “estar disposto” de forma insensata, insistindo que não haja absolutamente nenhuma tensão em sua casa, decorrente de diferenças religiosas. Essa postura seria, não somente impraticável, como também, não bíblica. Vale lembrar que 1 Pedro 3:1-6 é uma continuação do conselho de ser submisso em situações inferiores ao padrão ideal. Nenhum discípulo deve esperar uma total ausência de tensão, quando seu cônjuge é guiado por um padrão muito diferente. Porém, ele pode esperar que seu cônjuge não cristão esteja “disposto” a viver com ele dentro de sua condição de servir a Jesus e conforme esse padrão. É vital ter sabedoria ao se tentar aplicar os princípios bíblicos em situações difíceis, que necessitam de muitos conselhos com líderes espirituais.

35) Contudo, há uma questão extremamente importante nesta passagem que diz respeito a “não ficar debaixo da servidão” (versículo 15). O que é a servidão? Parece claro que se refere ao vínculo matrimonial e todos os mestres do reino concordam sobre isso. Se o descrente se separar, o cônjuge cristão não estará mais vinculado a ele(a). Mas, se o descrente estiver satisfeito em viver com o cristão, então, o cristão ainda está debaixo da servidão. Muitos comentaristas sentem-se obrigados a harmonizar essa passagem com a narrativa dos evangelhos, que omitem a possibilidade do divórcio e do recasamento. Paulo, porém, deixa claro que a situação aqui é diferente daquela narrada nos evangelhos (“O Senhor, não eu”; “Eu, não o Senhor”). Se a mera separação ocorrer, as direções seriam as mesmas aplicadas a dois discípulos casados, como descrevem os versículos 10-11.

36) Paulo escreve no versículo 14 que o descrente é “santificado” pelo seu companheiro cristão. É claro que isso não significa que ele é salvo por causa disso. Porém, simplesmente significa que Deus reconhece esse casamento como válido e que eles podem permanecer casados. Caso contrário, os filhos nascidos dessa união seriam “impuros” (ilegítimos). Uma vez que Paulo estava respondendo às questões sobre casamento levantadas pelos coríntios (versículo 1), é evidente que eles desejavam saber se um casamento entre um cristão e um não cristão seria aceitável a Deus como um relacionamento legal. Aqui Paulo diz que “sim”. Talvez eles erroneamente aplicaram um ensinamento similar a esse, que está em 2 Coríntios 6:14-18, ao vínculo do casamento em si.

37) O versículo 16 muito provavelmente está dizendo que o cristão deve aceitar a partida do seu cônjuge e o subsequente divórcio que isso acarretará, ao invés de tentar se agarrar a uma causa perdida, na tentativa de salvar seu companheiro. Se o descrente decidir se separar, ele estará demonstrando sua falta de abertura ao evangelho pelo simples ato de desertar. A ruptura de um casamento é sempre trágica e o cristão deve sempre fazer tudo o que puder para evitá-la. Um discípulo deve focalizar-se nos princípios de 1 Pedro 3 e procurar as soluções mais justas e não tentar se justificar para sair do casamento. Mostrar uma atitute arrogante infringe tanto 1 Coríntios 7 quanto 1 Pedro 3. Se estamos fazendo tudo o que podemos para fazer o casamento dar certo e, mesmo assim, o descrente resolver se separar, então, que o faça, mas teremos a consciência limpa.

38) Uma questão referente à identidade do descrente surge naturalmente, quando um discípulo cai da fé. Será que tal apóstata se qualificaria como um descrente neste contexto? Sim. Alguém que abandona a fé pode certamente se tornar perseguidor do seu cônjuge e a deserção não é incomum para tal pessoa. No caso do cristão que deixa a igreja, sob qualquer circunstância, teremos que lutar para manter a atitude de graça para com ele, caso decida voltar à igreja depois de ter arruinado sua vida consideravelmente, a ponto de se casar de novo. E se forem solteiros, quando forem restaurados, mas seu ex-cônjuge já tiver se casado novamente? Será que o discípulo restaurado poderá se casar novamente com um outro discípulo da igreja? É uma questão problemática. Porém, a solução justa é permitir que essa pessoa tenha um novo recomeço. Se eles deixarem o reino e, mais tarde, forem restaurados, eles voltam na mesma condição em que chegaram originalmente: precisam ter um novo recomeço.

Conclusões

39) Nenhum outro relacionamento humano se iguala ao casamento, pois ele retrata a relação entre Cristo e sua igreja (Efésios 5:22-23). Ambos esses relacionamentos são um grande mistério, mais profundos do que a inteligência humana possa imaginar. Devemos fazer todo o possível, como líderes, para preservar a santidade e a permanência da união matrimonial. Nosso enfoque constante deve se manter a união dos casamentos, ainda que tenhamos que gastar muita energia aconselhando os casais por longos períodos de tempo. Deus odeia o divórcio, mas ama a harmonia e a solução. Se a reconciliação entre irmãos e irmãs em Cristo é crucial, a reconciliação entre parceiros de matrimônio em conflito é ainda mais essencial. A tendência de tolerar injustiça nos relacionamentos matrimoniais cristãos, que não seria tolerada em nenhum outro relacionamento dentro do reino, deve acabar. Os líderes devem exercer sua responsabilidade dada por Deus no sentido de não permitir um estado de amargura, ressentimento, animosidade e conflito. O pecado tem que ser lidado e arrependido. Em alguns casos extremos, para estar em conformidade com o ensino de Paulo em 1 Coríntios 7:10-11, a separação dos cônjuges pode ser tolerada como uma concessão devido à fraqueza e à imaturidade. Com certeza, líderes precisam exercer a sabedoria divina para chegar a essas decisões.

40) Casamento e recasamento não é para todos. Na verdade, precisamos muito construir uma mentalidade bíblica sobre o valor prático de permanecer solteiro em muitas situações diferentes. Quando damos conselhos dessa ordem, devemos ter em mente duas coisas: 1) a necessidade de explicar os princípios que estão por trás dos conselhos, em detalhes específicos e 2) a necessidade de se compreender que um conselho é simplesmente um conselho. Se Paulo, que foi um apóstolo inspirado por Deus, se recusou a impor seus conselhos sobre as pessoas, nós, certamente, não podemos sucumbir à tentação de considerar que nossos conselhos são equivalentes à vontade de Deus.

41) Devemos sempre lutar para atingir um equilíbrio entre sermos mais legalistas do que Deus e sermos mais tolerantes do que ele. Não podemos unir o que ele não uniu, nem separar o que ele não separou. Estar cientes do desejo de concessão de Deus, na esfera do casamento, deve nos levar a rejeitar respostas legalistas a questões difíceis. Para aqueles discípulos que se encontram na infeliz posição de ter se divorciado (enquanto discípulos), sem justas razões (adultério), devemos ter fé de que eles conseguirão sobreviver sem o recasamento. A reconciliação é a única alternativa permitida pelo Espírito; porém, Deus estará com eles nessa situação (1 Coríntios 10:13). Da mesma forma, casais de namorados, em que um parceiro é divorciado de um cristão (por razões que não sejam o adultério) devem “terminar” o relacionamento.

42) Em linhas gerais, as seguintes observações resumem a maioria das questões-chave:

  • Ao serem convertidas, as pessoas são aceitas em seu estado civil atual.

  • Aqueles que deixam o convívio e mais tarde são restaurados ao mesmo também são aceitos em seu estado civil daquele momento (possivelmente alterado).

  • Alguém na igreja cujo cônjuge tenha sido infiel tem o direito de se divorciar ou de se casar novamente, desde que a razão para o divórcio seja a imoralidade por parte do cônjuge. Uma vez que esse pecado permite que o vínculo matrimonial seja rompido, no que diz respeito à parte inocente, o vínculo é rompido para ambas as partes e, portanto, ambos podem se casar novamente. Cada liderança local precisará decidir como lidar com a imoralidade que ocorreu.

  • Devemos salientar que a liderança da igreja local deve responder a um ato isolado de adultério com não mais do que uma advertência confidencial àquele que pecou, cujo cônjuge tem os direitos bíblicos de exigir o divórcio. Embora a reconciliação sempre seja fortemente encorajada, a infidelidade pode ser tão devastadora que o cônjuge fiel não consiga mais permanecer casado com seu parceiro adúltero. O divórcio deve ser sempre considerado como o último recurso.

  • Discípulos não devem se divorciar por nenhuma razão; porém, se o fizerem, devem permanecer sem se casar, ou se reconciliarem (1 Coríntios 7:10-11).

  • Se um não cristão deixar um discípulo, então, o discípulo não está mais vinculado a ele e pode divorciar aquele que desertou.

  • Qualquer cristão que abandonar a Deus é considerado um “descrente” à luz de 1 Coríntios 7:12-15. Se o cônjuge descrente desertar o discípulo e não mais desejar viver com ele, o cônjuge fiel poderá divorciá-lo.

  • A necessidade de aconselhamento preventivo, incluindo os passos disciplinares de Mateus 18: 15-17, deve sempre permanecer nossa primeira e mais forte linha de defesa contra o divórcio.

  • Embora haja mandamentos e princípios bíblicos, no que tange a divórcio e recasamento, não podemos subestimar a necessidade de os líderes orarem por sabedoria e buscarem conselhos, a fim de melhor aplicá-los.

Gordon Ferguson

Sam Laing

Marty Wooten

Steve Kinnard

Douglas Jacoby

Andy Fleming

Assista a série de aulas sobre o assunto:

Casamento, divórcio e recasamento


0 visualização
Igreja de Cristo internacional de SP

(11) 4113-9583

comunica@icoc.org.br

  • White Facebook Icon
  • White Instagram Icon
  • Branco Twitter Ícone
  • White YouTube Icon

@2018 by Igreja de Cristo Internacional de São Paulo

logo.png
  • icoYT-escuro
  • Instagram Social Icon