Igreja? É necessário?



“Nas instruções que agora vou dar a vocês, eu não posso elogiá-los, pois as suas reuniões de adoração fazem mais mal do que bem.” (1 Coríntios 11:17 – NTLH)

No contexto do versículo acima, Paulo adverte a igreja de Corinto quanto às motivações e procedimentos percebidos em suas reuniões, enfatizando as divergências entre os irmãos (18;19), e a falta de reverência no momento da ceia (20;21). Na verdade, todas as cartas paulinas estão recheadas de instruções e advertências que objetivam um convívio saudável e adequado, para que “(...) o servo de Deus esteja completamente preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações (2 Timóteo 3:16)”.

Para muitos que não fazem parte de uma comunidade cristã protestante (“evangélica”), independente da sua crença, a possibilidade de adentrar em uma igreja (= lugar de reunião) causa arrepios. Alguns desses, pouco ou nunca estiveram em um culto; outros, já frequentaram denominações e foram feridos por pessoas e doutrinas daquele lugar; há ainda aqueles que, numa primeira experiência, não se sentiram bem por alguma circunstância, e acabaram por se fechar a outras possibilidades. Algumas pessoas, simplesmente, não querem conhecer algo ligado a qualquer “religião” que seja; outras, até procuram respostas em Deus ou na Bíblia, mas temem “ambientes religiosos”.

No Brasil, temos centenas de denominações cristãs, com liturgias muito diversas; mas, independente da forma como “se processam” as reuniões, é fundamental para o aprendizado, para a prática e para o aperfeiçoamento, ter relacionamentos dentro de uma comunidade cristã. Há problemas no convívio, nas igrejas? Certamente. Assim como precisamos aprender a conviver em casa; no condomínio; no trabalho; na academia; em reuniões formais ou informais; precisamos aprender a conviver dentro de uma esfera cristã; com crentes e descrentes; se realmente temos o objetivo de refinar nosso entendimento e fé. E, por mais que pareça penoso e difícil estabelecer relacionamentos em cada um dos ambientes citados acima, pelo menos em alguns deles, por determinados interesses, todo o ser humano dispõe-se a fazê-lo.

“Por isso procuremos sempre as coisas que trazem a paz e que nos ajudam a fortalecer uns aos outros na fé.” (Romanos 15:9)

Para que possamos ser aperfeiçoados por Deus, em espírito, precisamos colocar-nos à disposição, “procurar”, abrirmo-nos para o “novo”, a fim de aceitarmos a correção de Deus, que pode vir através de experiências, conversas, convívio, situações e circunstâncias, muitas delas próprias da vivência em uma comunidade cristã e através dos relacionamentos “uns com (aos) os outros” (João 13:34/Mateus 6:15). Jesus deu um grande exemplo em sua época, relacionou-se com todas as “tribos”: mestres da Lei e publicanos, sacerdotes e prostitutas, pessoas importantes e simples, “religiosos” e “pecadores”, judeus e gentios, “puros” e “impuros”, e nunca deixou que a aparência ou a posição social influenciasse o seu julgamento. Ele ia, inclusive, em sinagogas, pregar ou discutir com os líderes da época (Mateus 12:9/Lucas 6:6/João 6:59).

O fato é que as pessoas se encontram em diferentes “estágios” de disposição para a mudança, e isso não tem a ver com o “tempo de fé”, mas com uma decisão pessoal e diária. Como disse antes, da mesma forma como nos dispomos, por exemplo, a estabelecer relacionamentos e experiências no trabalho, com o objetivo de crescer profissionalmente, precisamos nos dispor a ter relacionamentos na igreja, para que possamos construir vínculos que nos permitam ter oportunidades para entender e praticar os preceitos cristãos: amor, perdão, misericórdia, humildade, etc, em qualquer contexto. Nossa natureza não quer perdoar ou amar como Jesus demonstrou (João13:34), e por isso precisamos de estímulos, oportunidades, tempos, exemplos, relacionamentos que nos levem a refletir, palavras que nos encorajem a agir, louvores que nos incitem. Como poderei pedir ajuda ou conselhos baseados na Palavra, se não encontrar outras pessoas perseverantes na busca do conhecimento de Deus, aptas a encorajar com sabedoria? O cristianismo não é um “acessório” ou caixa de ferramentas que guardamos no armário para recorrermos quando precisamos consertar algo; mas, sim, uma doutrina, um estilo de vida, e só pode cumprir o seu propósito se aceito como tal (Marcos 8:35). Ele não pode ser um ingrediente da refeição, mas deve ser o banquete completo, que não combina com outros alimentos, nem necessita deles.

“Jesus respondeu: ‘Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede.’ (...)Quem quiser fazer a vontade de Deus saberá se o meu ensino vem de Deus ou se falo em meu próprio nome.” (João 6:35/7:17)

Através do convívio em uma igreja local, um importante passo é dado para que se possa submeter ao ensino de Cristo, ao aconselhamento saudável e à humildade que nos faz buscar a verdadeira doutrina transformadora. Não se trata, apenas, de “incorporar” alguns novos conceitos ao “nosso estilo de vida”, ou fazer novos amigos, mas de fortalecer a fé, estimular a produção de frutos do espírito e enriquecer a visão sobre o “amar a Deus com todo o seu vigor” e “ao próximo como a si mesmo” (Lucas 10:27). O cristianismo é um “processo”, baseado em relacionamentos, condutas, decisões, escolhas, e em calibrar atitudes para evitar algo que possa causar dano a outros. Significa realizar aquilo que Deus espera de seus filhos, mesmo não sendo aquilo que se deseja naquele momento, ou seja, consiste em aprender a colocar a vontade de Deus para nossas vidas, acima da nossa própria vontade, aprendendo a resignar-se, ainda que esse ensinamento seja contrário ao que vemos na sociedade atual.

“Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem. Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que o dia está chegando. (Hebreus 10:24-25)

Paulo não advertiu a igreja de Corinto com a intenção de desestimular as reuniões, mas, sim, de aperfeiçoar o entendimento e relacionamentos dos crentes, entre eles, e com os “de fora”. Vivemos um tempo de intensa guerra espiritual, de doutrinas individualistas e egoístas sendo espalhadas e aceitas por sua permissividade e conforto, o que leva muitos a não quererem pagar o preço da mudança. Não é fácil construir amizades e convicções, no entanto, não há como ser um cristão isolado, pois a igreja faz parte do plano de Deus (Mateus 16:18/1 Coríntios 12:28). Isso não implica que cristãos devam relacionar-se apenas com outros cristãos, o que não faz sentido e vai contra os preceitos de Deus. Há momentos em que temos de estar a sós com o Senhor, em oração e aprendizado, e há momentos em que temos de espalhar a sua mensagem, relacionando-nos de várias formas com todos os tipos de pessoas. Há, também, momentos em que temos de nos unir, com o propósito de compartilhar capacidades e experiências, fraquezas e forças, para que cada um possa dar e receber o que é necessário, a fim de que a verdade se estabeleça e a obra se complete.

“Foi ele [Jesus] quem ‘deu dons às pessoas’. Ele escolheu alguns para serem apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e ainda outros para pastores e mestres da Igreja. Ele fez isso para preparar o povo de Deus para o serviço cristão, a fim de construir o corpo de Cristo. Desse modo todos nós chegaremos a ser um na nossa fé e no nosso conhecimento do Filho de Deus. E assim seremos pessoas maduras e alcançaremos a altura espiritual de Cristo. Então não seremos mais como crianças, arrastados pelas ondas e empurrados por qualquer vento de ensinamentos de pessoas falsas. Essas pessoas inventam mentiras e, por meio delas, levam outros para caminhos errados. Pelo contrário, falando a verdade com espírito de amor, cresçamos em tudo até alcançarmos a altura espiritual de Cristo, que é a cabeça.” (Efésios 4:11-15)


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